Conto Sem Fada

a realidade se apresenta

um livro de perguntas

Cristovam Buarque - 2004


E se o décimo-primeiro mandamento fosse"alfabetizarás o teu próximo"?

Não seria mais fácil acreditar em espíritos se, em vez de morrer, as pessoas evaporassem aos cem anos?

A confusão é uma ordem ainda não entendida ou a ordem é uma confusão já explicada?

Por que as cores têm nomes e os cheiros são anônimos?

Quantosneurôneosseparamateimosiadaobstinação?

Fazer perguntas é mais divertido do que tomar sorvete de chocolate?

Será que Deus previu vaidoso a invenção de Si próprio, ou descobriu surpreso ter sido inventado pelos homens?

As palavras forman ideias ou as ideias buscam as palavras?

Por que a alegria não se espalha como a gripe?

juízo

Minha vó costumava fazer uma brincadeira, oferecia Juízo, a cachaça com esse nome, para suas visitas, careca de saber-se não alcoólica, e não possuidora do mé. Aí, ria, boba, da piada. Isso temos em comum, felizmente. As piadas, ingênuas, que costumamos fazer, provocam riso, sincero riso, em nós mesmas. (*Rsss) As tais piadas parecem fazer mais sentido nessas emissoras sem necessidade de público, ou seja, só atendem a ouvintes mui específicos. Sem medo de sermos ridículas!


O juízo original, por outro lado, possui uma significância para cada indivíduo. E, para mim, que muito repenso as coisas, ruminando as discussões mais subjetivas, a tal recomendação, vinda de uma pessoa mais velha: "Juízo, Fulano." chega aos ouvidos como uma regra, uma limitação para as bagunças mais loucas. Não que caia essa ficha, e nem que o ouvinte vá ouvir o conselho, mas.... a ambição do ser ao falar é atrair a Responsabilidade. E na sequência, responsabilidade lembra, a mim, a preocupação. E interligado a ambas, há a tal liberdade.


As antíteses não nascem sozinhas, brotam em pares. É preciso uma referência para  que o bonito seja bonito: o feio. Portanto, não há essa ideia de não-comparação. Isso é uma inútil idealização, já que, só há o melhor porque existe o pior... como concluir sem comparar?
Bom, com tais pares emparelhados tem-se responsabilidade e irresponsabilidade. E, de fácil acesso no arquivo cerebral, tem-se liberdade e prisão. E preocupação e despreocupação.


Algumas vezes, a liberdade é mencionada totalmente desgarrada desse caráter antagônico. Um sentido que ouço na boca de jovens, com aquele jeito meio anárquico que, do modo como é falado, parece, além de panfletário, vazio. A liberdade, para mim, equivale à responsabilidade. Algo obtido gradativamente, em proporção à consciência que faz com que nos preocupemos com as coisas. Afinal, o que é a preocupação além de consciência em relação às consequências? Na pior das hipóteses, a pessoa "livre", é cheia de preocupações, resultado natural da consciência. Do jeito que ouço a palavra liberdade, me soa como uma tendência meio "laranja mecânica", ser inconsequente, simplesmente por ser.


A maior parte dos meus passos em direção à liberdade foi dado com muito esforço, convencendo minha mãe, mostrando que eu mereceia. No meu caso, bem particular, costumos pensar que minha mãe me deu as possibilidades geralmente dada na criação de meninos. eu pude muitas coisas, na medida do meu desenvolvimento, quando minha vontade se ligava à minha consciência. Pouco me lembro de como caía a ficha do desejo. Lembro-me do que fiz. e lembro que na visão do meu pai, fazia demais. Talvez por essa razão, hoje, eu seja totalmente avessa ao "lar doce lar way of life". Com responsabilidade, claro.

 

O que mais se vê atualmente, é uma penca de moços de biceps definidos bebendo inconsequentemente, espancando pessoas aleatórias nas noitadas. Será que isso é apenas má-índole ou talvez também seja um excesso de liberdade concedida pelos pais? Eu creio que a liberdade com a qual cresci tenha sido positiva, mas ela nunca significou falta de zelo ou orientação. E meus erros sempre vieram seguidos de pequenos castigos.

As nossas gerações de hoje permitem tudo, e como educadora, vejo um excesso de "SIMs" muito questionável. 

Mas, ainda tento ponderar tais análises, pois, determinada criação não é condição sine qua non para um comportamento consciente dos nossos rapazes. Enfim, na prévia das bagunças carnavalescas, só tenho uma coisas a dizer: 
-Juízo, hein?




ah, carnaval carioca 2010

Marota dos blogs e blocos de carnaval, sempre afobadinha, não perdi tempo na elaboração do arsenal de foliona 2010, até porque, se a piores previsões estiverem corretas, só restam a humanidade mais um carnaval antes do fim do mundo, e eu é que não ambiciono deixar de zanzar em nenhum deles, fui me adiantando....

bom, entrando nos eixos do novo ano, adequando tempo, temperatura e estado de espírito, pus na cabeça certas restrições para evitar a fadiga e mau-humor gerado pelo excesso de foliões nas ruas e pelo calor...sendo assim, cito coisas que valem a pena durante a semana do carnaval de rua carioca: (mini-metas-super-pessoais)

1. beber água, não abandonar os líquidos para evitar o risco de desmaio!

2. comer, qq salzinho leve, nada de puta almoço ou algo do gênero, não experimentar comidas inovadoras para não correr o risco de se estragar em plena folia.

3. fantasias leves, biquini a tiracolo, ou no próprio corpo mesmo, para, se possível, dar uma relaxada em qualquer mar -meio limpo - da cidade maravilhosa.

4. chinelo no pé, qui mané u quê outro calçado! e dane-se o risco de vidro e etc, pois, folião que é folião ou vem com o sapato da fantasia ou vem de chinelo. Pisão no pé, ora, ora, faz parte do show.

5. beber sim, perder a linha nunca, afinal, a bebida faz a gente dormir muiro, ter dor-de-cabeça, ressaca, passar mal... nada disso vale a pena em ritmo frenético.

6. dormir, sim, mas apenas o necessário, e com as pernas esticadas para cima para recuperar as forças gastando o mínimo de tempo possível. Graças às graças, essa cidade tem mais de mil opções, no centro, baixada, south zone, beira de praia, longe no asfalto, no alto do morro, para se curtir a gandaia das gandaias, e perder o tempo, que há de ser lindo, claro e cristalino, dormindo... se ainda chover, vá lá, mas com sol.. deixa pra dormir na quarta-feira.. eu, por mim, nem na quarta-feira e nem na quinta...nem na sexta, quiçá no sábado!

7. organizar um pouco as rotas. Dar uma selecionada de leve nos blocos em que se deseja trafegar, uma logística do trânsito, ou dos caminhos pelos quais se almeja caminhar... mesmo que os horários das programações oficiais estejam meio enganados - propositalmente- vale a pena ter os planos A, B e C, para o caso de o bloco estar super-lotado, ou o público-alvo não estar conforme o que você gostaria.

8. não andar sozinho, primeiro por segurança, depois, para não se perder. Nem que seja como na música: "eu não ando só, só ando em boa companhia, com meu violão, minha cançaõ e a poesia..."  Mas, é necessário o mínimo de improviso ao se perceber só... Ficar ligando para os amigos no meio do bloco é furada! Ninguém vai se ligar em celular no meio das marchinhas! Relax, faça novos amigos, que os seus aparecem. (Claro, difícil pensar assim, na hora do desepero.)

9. curtir tuuuuudooooooo!!!!!!!!!!!! O que, de forma alguma, representa beijar todas as pessoas sem critérios, até porque, isso descaracteriza o entrudo carioca. Se é essa a intenção, vai para a Micareta, queridão! E não me puxe pelos cabelos, que eu não sou da Era das cavernas!!!
Curtir tudo, significa, sim:
9.1. dançar as mesmas canções de antigamente, mas com alegria tri-renovada,
9.2. ser muito otimista e bem-humorada, independente do caos que se instale ao redor,
9.3. improvisar, dançar, beijar e rir, rir muito, de preferencia, embaixo do banho de carro-pipa que rola em algumas orlas,
9.4. ser bacana com qualquer um, não discriminar ninguém, não causar tumulto, evitar o confronto, dar uma trégua com o papo radical de time de futebol,
9.5. QUERER VIVER E SER FELIZ.

10. ah, e indispensável mesmo é o uso do protetor solar. O resto pode ser arbitrário, pois cada um faz suas doutrinas, "mas no filtro solar, acredite!"




ah, mas eu não vejo a hora.....

pós ceia

na contagem dos pontos: uma avó, um vôdrasto, três filhos, seis netos. "Quem quer fazer a oração de Natal antes da ceia?" "A mamãe!", "Não, eu não."
Eu me inscrevi e abri o momento, inédito no Natal.. "A Gigi!" "Vó,  oração ecumênica, né?" Evitei ao máximo os clichês, os lugares-comuns natalinos, mas inevitável mencionar a união da família, agradecer pela prosperidade, a casa nova da véia, os laços e a amizade. Inevitável a exclusão dos estresses, do corre-corre desnecessário.

no geral, até que não ficou piegas, depois a vó perguntou amável para neta número 3: " Quer falar alguma coisa?", "Não.", "Ah, mas a vovó quer que você fale." - Viva a democracia! - no embalo seguido de pedidios democráticos, todos falamos alguma coisinha, mostramos a alegria de estarmos imersos na correria em nome dos santos laços... família grande é bom, mas a fome estava assolando os corações dos desesperados.... Para finalizar a falação, o neto 3, aquele que até ontem era caladão, antissocial, mostrou porque ganhou o primeiro lugar de um curso em liderança - uhu!! abala, querido! - falou com ar de político nato, natíssimo e mostrou o vozeirão pouco ouvido nessas ocasiões. Por fim, o neto 6, coitado, que pressão!, dizendo "Não, não quero falar." e arrematando com um sagaz "Um feliz Natal para todos." com seu S forte de Sampa. Tão fofinho.
Avançamos para a bela comilança e a meia-noite se indo, indo...

Nisso, dorme e acorda.
Almoço familiar ou o eterno e preciosos enterro, dos ossos.
Ofereci para paps um troço delicioso que a fogosa vizinha - que amamos muito - fez -  deliciosos! - não estou puxando o saco, ela nem virá a ler isso! "Não, não quero, diferente da maioria das pessoas, eu posso controlar meus desejos" respondeu à minha insistência.

Porra, a gente é muito escravo do comprar. Mesmo sem graninha, temos - nosso cérebro nos faz pensar que é mesmo uma obrigação - que adquirir coisas, bens, que nem são vitais para nossas vidas, mas cuja ausência parece nos deixar um vazio.. Um vazio que só se completa com o preenchimento de, de coisas? é isso? Coisas preenchem o vazio da alma? Coisas que vão nos sobreviver, que duram cem anos para se decomporem, que vão quebrar, desgatar, desbotar? 

Fiquei naquele papo por um instante com o paps. Um instante para querer escrever, num rompante, como sempre, e re-perceber que os desejos podem ser, como ele mesmo falou, o resumo da infelicidade humana. Desejar e não obter é um gerador infinito de instisfação. Assim que conseguimos aquilo que almejávamos, nosso foco insaciável se pauta em outro alvo a ser alcançado e infinitas "insaciações" são geradas como elo entre o que se tem e o que não se tem. Querer e não poder só nos mostra como somos infinintewsimais diante das obras do mundo.A saudade é meio isso. Quando há posse, há sofrimento, há a vontade de se Ter algo. Mal conseguimos aprender que, na verdade, é preciso buscar Ser ao invés de repetir o verbo da posse!
 Por outro lado, como bem disse o meu pai, há o desejo material e o imaterial: desejo de saber, aprender, melhorar, conhecer. Esse, estudei na facul por alto, faz com que a humanidade caminhe, se mova, por assim dizer, por meio da curiosidade, da ousadia, da vontade de sabe-se o quê.

Esse é o desejo que preenche sem deixar brechas de infelicidade, porque ele sacia a si mesmo.
Tomara que, no ano de 2010, possamos clarear mais e mais coisas sobre nós mesmos para melhor buscar as soluções para as dores do mundo.

Inté ano que vem, eu acho.

meditando em verde

primeiro poema que emcontro no "boa companhia" de um grande amigo, de Lélia Coelho Frota:

"anjo negro

Vupe, quem será que baixou?
Peninhas estremecem na chegada das asas africanas."

frase de efeito

Tolice ou não... algumas são meio moralistas, outras fazem pensar, mas, acima de tudo, são fruto de reflexão.. né? são um bom exemplo de pensamento cujo ápice vira fala. E como nesse blog o que eu mais tenho feito é refletir, papear, polemizar, desabafar em conjunto... e falar, falar, falar........

Quereis prevenir delitos? Fazei com que as leis sejam claras e simples

Origem: Dos Delitos e das Penas
Autor: Cesare Beccaria
Nacionalidade: Itália

As amizades que se fundam a partir do interesse, por interesse terminam
Autor: Antonio de Guevara
Nacionalidade: Espanha
Viveu em: [1480-1545]
Profissão: Escritor

Eu escrevo para libertar o meu cérebro, não para atravancar o dos outros
Autor: Louis Scutenaire
Nacionalidade: Bélgica
Viveu em: [1905-1987]
Profissão: Escritor

 
A luz é especialmente apreciada após a escuridão

Origem: Hasdai
Autor: Textos Judaicos

Com fé não há pergunta, sem fé não há resposta
Origem: Chofetz Chaim
Autor: Textos Judaicos

Não há mal que não possa ser útil a alguém
Autor: Romain Rolland
Nacionalidade: França
Viveu em: [1866-1944]
Profissão: Novelista Biógrafo Compositor e Musicólogo

Quem é bom não discute
Origem: Tau-te-King, 81
Autor: Textos Taoístas


Escrever é uma percepção do espírito. É um trabalho ingrato que leva à solidão

Origem: O Homem Destruído
Autor: Blaise Cendrars
Nacionalidade: França
Viveu em: [1887-1961]
Profissão: Escritor

 
É mais fácil suportar as aflições de estômago cheio
Origem: Vida del Pícaro Guzmán de Alfarache
Autor: Mateo Alemán
Nacionalidade: Espanha
Viveu em: [1547-1614]
Profissão: Escritor

À pergunta habitual: ‘Por que é que escreve ?’, a resposta do poeta será sempre a mais curta:’Para viver melhor.’

Autor: Saint-John Perse
Nacionalidade: França
Viveu em: [1887-1975]
Profissão: Poeta Diplomata

Somos responsáveis por aquilo que fazemos, pelo que não fazemos, e por aquilo que impedimos de fazer
Origem: Cardeal Suhard
Autor: Textos Cristãos

desvario meu

Sabe, eu gosto de ler, principalmente por prazer... gosto de debater.. acho o máximo o mundo e o submundo das ideias, me perder nas argumentações.. quase como um hobby esquisito de pessoa implicante.. rs, mas não é por implicância... sou a favor e vejo alguém que é radicalmente a favor, então procuro o ferecer o contra... e a indagar - na paz do senhor e da pombinha branca- o porquê do radicalmente a favor. se me deparo com alguém radicalmente contra, vou, certamente, tentar dissuadi-la de sua opinião redonda... acho mesmo que gosto da variação, do multiplo, do plural, ah, diversidade (amada!), da malemolência, por mais que seja dura na queda da teimosia. mas, aí, são outros quinhentos.. seiscentos, setecentos...
Mas em algumas dessas brincadeiras, me peguei,  ou fui pega, desprevenida com alfinetadas pessoais.. ocasiões que não me recordo agora, mas tenho a sensação clara de que ocorreram.. e ai, eu sou séria, na essência, não gosto de alfinetadas.. sou mais o tipo que aceita o papo reto.. bem reto.
sabe-se por qual motivo interior, me fecho como um... baú? ostra? caracol? tatubola? melhor, um livro. (um livro?) Yes, man. Pessoasinha de opinião, mas acuada, não abro a boca. Um livro é assim, a julgar pela capa, nunca, com exceção da literatura infanto, vai se revelar  pelo lado de fora. Aliás, alguns nem estampa possuem, nem dentro e nem fora. Fato é que só vivendo aquilo, lendo o bendito, dando  o start de, pelo menos, 40 páginas, é que se pode dizer, bom livro.. ou mau livro. quando me calo, assim, acuada, dificilmente me revelo inteira, o que não significa deixar de falar, mas, significa um ar de eterna desconfiada cujas mãos permanecerão fora do fogo... (- Não, não conte com a minha forte lealdade para suas bandas!!)
sou sensível a esse ponto... costumo perdoar.. perdoo, sim, mas não esqueço. Vixi, tadinha de mim, não esqueço! Mesmo com a maldita memo lascada, fragmentada, salvando apenas as sensações: "lágrima", não sei bem como aconteceu, "riso", nem sei qual foi a piada, "alegria', pra onde fomos naquele dia mesmo?
As sensações... ah, elas não mentem jamais.... hahahah
                                          enfim, sou sensíver mermo, ué! que qui tem?
Daí, aproveiando a fala/escrita oportuna dum amigo e seu apartamento..( vai sair do ap? vai morar numa casa que não tem teto, que não tem nada?)


intertextualidade: Substantivo feminino. Liter.
1.Superposição de um texto a outro.
2.Na elaboração dum texto literário, a absorção e transformação de uma multiplicidade de outros textos.
 
Sede poetas!!!!!!!
"Ter uma víscera assim, significa que você olha poesia ao seu redor, e não precisa ser na escrita, pode ser uma melodia, um traço, um ato, um fato, uma imagem, uma cor (ou a combinação de muitas)."

Amei. É ASSIM QUE ME SINTO!
Lua Cheia

Chico Buarque


Ninguém vai chegar do mar
Nem vai me levar daqui
Nem vai calar minha viola que desconsola,
Chora notas pra ninguém ouvir
Minha voz ficou na espreita, na espera,
Quisera abrir meu peito, cantar feliz
Preparei para você uma lua cheia
E você não veio, e você não quis
Meu violão ficou tão triste, pudera,
Quem dera abrir janelas, fazer serão
Mas você me navegou mares tão diversos
E eu fiquei sem versos, e eu fiquei em vão

nãe é possível!

estou novamente sofrendo... e nem acredito que esteja tristonha em função das mesmas coisas de.. sei lá... mais de dois anos atrás... ou melhor, de tempos em tempos, desde dois anos atrás, a mesma dorzinha confusa. Um marco, um estopim... Entrementes que eu tenha razões para escapar desses afunilamento de sentimentos ruins, não consigo... seja meu juízo, seja meu carma, instinto, destino... eu, como um peixe, retorno de tempos em tempos ao lugar propício.
O lado autêntico é que não mais costumo reclamar... as notícias vêm e vão. Eu respiro e sigo. Achava que estava mais forte, imune ào ventanias. Vi que não.
O lado operacional: há um protocolo silencioso. Eu fugi do tal protocolo dessa vez. "Ah, não aguentava mais o mesmo roteiro enfadonho!" digo como justificativa. Pouco importam meus porquês. Só eu mesma, e sozinha, deverei arcar com minhas consquências intrasferíveis.
Tantas vezes me convenci do que fazer, tantas vezes me propus a aprender... que merda! Chega na hora, após tanto refletir, saem palavras que eu devia engolir e atitudes que eu devia....
Imagine que saudável seria se desfazer de características suas que fazem mal a você mesmo e aos outros. Na iminência de catastrofe em função de suas palavras ouy atitudes, você simplesmente as joga fora sorrateiramente na lata de lixo mais próxima: "Comigo não tá!"


Não é bem assim, se fosse fácil, não teríamos características, teríamos dados, arquivos, etc.


Que merda ser refén do sangue.
(será que eu nunca aprendo?)


Estou inconsolável. Ainda que indo, dançando coco e trabalhando!

detalhes sensoriais

sabe o amarguinho que dores de cotovelo causam na boca do estômago?
conhece a impressão de um bater de asas dentro do estômago quando se fica ansioso?
e o sabor agridoce de se estar apaixonado?
enxerga as cores redondas depois de se olhar muito diretamente
 para o sol?
e aquela incontrolável vontade de chorar quando pensa em uma pessoa que não volta mais?
e o univeso de segurança e confiança que um entrelaçar de dedos propicia?
e um cafuné líquido nos cabelos que traz tanto conforto?
e um soluço irritantemente persistente a ponto de trazer uma certa raiva?
e o geladinho salgado das ondas do mar afundando os pés na areia?
reconhece o toque doce de pestanas nas bochechas?
e o arrepio de quando passa uma corrente gelada nas águas do mar?
e o calor suportável que deixa o suor frio?
e o insuportável, que deixa a testa pingando?
e uma adrenalina tão intensa que gera ondas de tremor por todo o corpo?
conhece a sensação de delírio quente de febre?
o rosa quente da vergonha?
lembra a sensação de entorpecimento quente de uma euforia muito forte?
e um susto tão grande capaz de causar taquicardia?
a sensualidade de um beijo cítrico inesperadamente almejado?
talvez desconheça o peso quente de uma cólica no útero.
mas reconhece a percepção morna da lambida de um cachorro?
e as unhas silenciosas e involuntárias de um gato?
e quem sabe o vermelho irado do ciúme?
ou o descontrole negro da loucura?
sabe qual é a paz de assistir um pôr do sol na praia?
e a completude de dormir olhando o céu?
o negro silêncio do medo?
a cegueira momentânea de uma obsessão escarlate?
a boca molhada de tesão?
a ternura preencher o peito ao saber ser amado?
e o fascínio azul bebê da serenidade?
o desespero mudo de amar e zelar?
o azedinho quente de se acordar em boa companhia?
o amarelo sem gosto de uma viagem alucinógena que concentra todas as sensações do mundo?

viver é uma aventura.
Sinestesia:
"Relação subjetiva que se estabelece espontaneamente entre uma percepção e outra que pertença ao domínio de um sentido diferente"; a minha figura de linguagem favorita.

amadurecendo os frutos

thinking... always thinking too much..

minha fase nostálgica is over.. digo, quase.. sinto-me velha demais para a idade pouca que tenho e talvez por isso, esteja quase acostumada a aumentar minha idade para "estranhos".. não beira a mentira, mas beira uma espécie de "sinto-me velha", na verdade, consequência de ouvir um monte de -Só? Achei que era mais velha!
Confesso que é dramático pensar como eu penso, cada dia, um dia a menos da sua vida. É para não me sentir assim, enfim.

(Pausa para reflexão.)

Sabe quando alguém reclama da falta do que fazer, de tédio, flata de emprego, etc? Eu sempre acho que a pessoa procura pouco.. costumo ser meio intolerante para a inércia constante. se o cara não descruza os braços, como espera que as coisas aconteçam? Quase esqueço que vivi isso! Reclama de não ganhar muito nos meus estágios iniciais da faculdade, mas não punha currículos em canto nenhum, ou melhor, ao longo de 3 anos, devo ter posto tipo 3 currículos. Mas também, não reclamava.. não mendigava emprego, porque também, não precisava.. tinha apoio, tinha estágio pocket-bolsa. Hoje, sei com clareza cristalina, que basta almejar e descruzar os braços.
Estava conversando com um amigo.. isso é quase automático: o fato de você "descruzar-se" gera uma reciclagem de energias, e as coisas acontecem tanto, a ponto de te fazerem embarcar num ciclo inesgotável de... seja lá do que reclamava.

(Reticências degustativas)

Essa renovação de energias pode também ser uma consequência misticamente comprovada: as "energias" são aquelas coisas invisíveis que fazem com que num dia ruim, o simples alívio de se livrar dos problemas do trabalho propiciem uma noitada maravilhosa e cheia de vivacidade.. ou aquilo que gera uma noite em que tudo dá errado misteriosamente quando a pessoa foi para a rua com um mau-humor do cara..
Eu acredito que, como ensina meu papi, só pelo fato de se promover a Tela mental com determinado pensamento, as possibilidades de, seja o que for, ocorrer da maneira como foi concebido na mente é facilitada... claro, sem descartar mil outras interferências inexplicáveis e abstratas. Algo comparado ao poder do pensamento, segundo teorias incomprováveis cientificamente, ou ao poder misteriosamente místico da Fé.

(Pensamento catavendo)

No auge do meu ceticismo filosófico - hahahah, essa é boa! - creio que a fé é algo nesse sentido: uma espécie de poder de mentalização tão forte que é capaz de alterar a própria concepção do mundo. Como se o cérebro fosse autoenganável e pudesse se boicotar ao produzir informações para que ele mesmo acreditasse no divino ou coisas do gênereo. É preciso convir que há coisas que não são acaso.. outras que são, óbvio. Mas essas que não são é que enchem o imaginário das pessoas. O que seré força da mente e o que será dedo de Deus, ou ainda... influência dos Orixás, dos anjos e dos duendes?
Eu é que não sei.. só sei que quando você vê uma gira, cara, não dá para não acreditar. sabe-se lá o porquê daquilo e, além disso, incógnita levantada, por que você, que nem é adepto e nem acredita, respeita aquilo como se fosse o próprio Espírito Santo encarnado? E dá-lhe cigarro e pinga para o santo!
Quem já não ouviu dizer que "funciona para quem acredita"? E não é que é verdade isso? Você diz para a menina que se ela plantar bananeira em dia de lua cheia dizendo o nome do caboclo três vezes, ao mesmo tempo que enterra um papel rosa com o nome do homem que ela ama no pé duma roseira,  ela vai conseguir o amor do cara, ela acredita, faz e.. consegue! Ah, será que é energia oriunda da mente humana ou será que ajudinha extraterrestre? Enfin. Fato é que na hora do medão vale mantra, pai-nosso, guia...

(Momento contemplativo)

Se bem que, quando é comigo, costumo culpar amuletos quando as coisas dão certo. Leia-se certo como: conforme planejado ou melhor. Incumbo coisas e pessoas da sorte que encontro..  Em termos de afazeres objetivos, tenho uma frustração inconformada quando não consigo concluí-los, e uma frustração irada quando isso ocorre em função da ação ou não-ação de terceiros. No entanto, quando se trata de assuntos subjetivos, que facilmente se alteram com a facilidade de um vento, ou que envolvem expectativas, tenho para mim que sou altamente capaz de influenciar os fatos. em algum lugar entre o "costuma ocorrer" e o "é batata ocorrer" reside o fato de minhas expectativas operarem como o revés daquilo que eu espero que aconteça. Basta eu pensar/imaginar por uma fração de segundos um desfecho, uma ambição ou um resultado para errar. E o mais impressionante, isso não é fruto do resquício de meu pessimismo. eu erro feio sempre, mesmo que para o bem. Se acho que uma viagem vai ser bacaninha, mas não maravilhosa, ela me pega de surpresa e é maravilhosa. Se creio que vai ser ruim eu aparecer em tal lugar, descubro depois que uma pessoas queridíssima estava lá e eu não fui. Se acho que uma festa será divina, vou e vejo que poderia facilmente passar sem ela. Se não dou nada por um filme, descubro que foi fundamental eu assisti-lo. E por aí vai.

(Filosofando opacamente)

Não vou revisar esses texto. ando com uma certa preguiça de vir aqui, é o calor, por isso, revisá-lo seria reescrevê-lo... outro dia. Perdoe qualquer gafe, sim?

blogando os outros II

para que leda me leia

para que leda me leia

precisa papel de seda

precisa pedra e areia

para que leia me leda


precisa lenda e certeza

precisa ser e sereia

para que apenas me veja


pena que seja leda

quem quer você que me leia




[marginal é quem escreve à margem]

Marginal é quem escreve à margem,

deixando branca a página

para que a paisagem passe

e deixe tudo claro à sua passagem.


Marginal, escrever na entrelinha,

sem nunca saber direito

quem veio primeiro,

o ovo ou a galinha.

 
 
O assassino era o escriba 


Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito

inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,

regular com um paradigma da 1ª conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,

ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito

assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas

expletivas, conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.



Paulo Leminski
mais em: http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/

blogando os outros

Ausência


Por muito tempo achei que ausência é falta
E lastimava, ignorante, a falta..
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
Ausência é um estar em mim.
E sinto-a tão pegada, aconchegada nos meus braços
Que rio e danço e invento exclamações alegres.
Porque a ausência, esta ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.

( – Com o pensamento em Ana Cristina)


E Ana cristina:


Tenho uma folha branca
                                  e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
                                e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
                                e limpa à minha espera:

momentinho

ando achando penoso me comunicar.. parece que o som amplo de uma voz que sempre foi livre, evita se ouvir... teme o que vai ouvir, será? é comum calar quando não há mais palavras, quando um cansaço de tentar e tentar acaba por domar as energias de tal forma que fica evidente que encontro-me limitada por outras estruturas....mas e a tal ilusória felicidade?...com amigos, com danças, com abraços saudosos, com inspirações muitas? não sei bem, mas parece mesmo que "a vida vai passando no vazio"..
ah, mas os amigos, amo e são muitos, mas já falamos sobre esse contrassenso que vivo, ao me encontrar com artificialidades irritantes... não vou mais em busca disso...se elas me encontram, cumprimento com um aceno de chapéu..
outras questões vivem rondando os "nam-myoho-rengue-kyos" remotos que se pretendem assíduos...
as estruturas que me amordaçam mesclam o não fazer sentido com a total superficialidade desses encontros... e então, percebo, num falido piscar de olhos que, já foi... e faço como sempre vi ocorrer com minha irmã do meio, durante toda sua adolescência: as ruas eram tão pontuais e esparsas que significavam, de fato, momentos, datas.
é que pra mim, são tantas e tantos percursos diários, que mais pareço linhas de metrô: caminhos diários, outros semanais... fezê-los-ei mensais, que é para entender onde ando "ancorando meu veleiro em flor".
com execeção de um evento pontual dessa semana do qual ainda não ouso me desfazer, que aliás é anual e sempre rende muitos momentinhos, vou cantar e dançar em casa.
e quem sabe, recuperar esses sentidos..

dia do funcionário público - 28 de outubro


escrito-não-postado e conveniente

Tô em crise, mas não a da meia idade, inclusive, ando mentindo minha idade, só que..para mais! Tô em crise em relação à minha participação nos ambientes sociais. É que geralemente possuo aquele comportamento ímpar- bem infantilizado de estado eufórico do "ÊÊÊ!" - só evidenciado com amigas saudosas o suficiente. O que aumenta minha pouca vergonha é o fato de assumir isso, por isso que me permito mesmo. (por sorte, abano o rabinho mas não dou lambidas!)
Mesmo que as tenha visto anteontem, como é o caso exemplar das chicas da dança, que sempre vejo em nossos encontros semanais de segunda e acasos (e celebrações) fimdesemanais.
É aquela farra, essa é, de fato, uma costumeira manifestação entre minhas íntimas damas, além de ser altamente excludente (*tenho que ficar seletiva, really!). Uma coisa de mulher para mulher!  - engraçado como as propagandas acabam entranhando no inconsciente coletivo, acabo de ouvir o jingle: "de mulher pra mulher: Ma-ri-sa!"
Emfim, volvendo. Acontece que ultimamente, tenho trabalhado pacas, e , por conta disso, o ip ip hurra anda meio morno. O rabinho não anda muito ágil... apenas a intenção na voz ao falar: "-Amiiiiiga!" permanece. But, tenho ouvido críticas e percebi que sem o antigo vigor acabo ficando, assim, com um ar blasé. A crise é: ser marrenta e inatingível - e impor respeito, afastar inúteis, expurgar malas - ou ser fofa, sorridente - confundida com permissiva, boazinha e otária.
"Ah, gi, você é muito radical, porque não ser os dois?" Por que as interpretações estereotipadas são extremistas e genéricas... uma característica identificada e lhe atribuem o pacote completo.
Impasse: tempo pra pensar.


Still thinking...
* comentários contemporâneos nos escritos arquivados.

amiga:

sabe, não há como abandonar certas coisinhas preciosas que nos trazem bons sentimentos... podemos nos afastar, adiá-las e não as ter por inteiro, mas abandonar é...
"1.Deixar, largar;
2.Deixar só; desamparar;
3.Afastar-se de,
4.Renunciar a; desistir de,
5.Não se interessar por; não cuidar de; descuidar, descurar;
6.Desprezar, menosprezar, desdenhar:"
...e isso, não, não seria possível rs


você foi honesta e genuína desde o primeiro instante, (lembra? na rodoviária?) e eu, eu sou ultra leal... só que andei passando por tensões...entendi algumas coisas, minhas reações, alguns vícios... descobri porque lembro de coisas que gostaria de esquecer e cheguei perto de entender porque perco a memória quando desejo lembrar. percebi que, reclamar é uma ocupação de tempo, e que fofocar pode ser uma doença..e que falar demais é sinônimo de ansiedade...Aprendi que dos amigos se pode conseguir tudo..um beijo, um cheiro, um ombro, um dengo, uma valsa, um dinheiro emprestadoe até algo ilícito... que todo mundo tem razão... porque todo surto tem "bastidores" e que, como tudo na vida, estamos sempre sujeitos a desempenhar todos os papéis: pra uns somos bem maus, pra outros, cínicos, alguns nos verão como mesquinhos, outros como sacanas.. mas que justamente aqueles que enxergamos com cores pastéis...nos veem como pessoas incríveis.. e nem sabíamos disso!! Ainda estou em busca de muitas respostas..andei me esgueirando, chorando um tico e me perdendo..mas pretendo me encontrar...e quando isso acontecer, a senhora estará entre os seletos com quem pretendo dividir minha felicidade...
um beijo e um queijo.

Os Sapos- Manuel Bandeira

http://www.youtube.com/watch?v=iO-chavoWEo





Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.



Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".


O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.



Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.



O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.


Vai por cinquuenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."



Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".



Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.



Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".



Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".


Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;




Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é


Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

usufruto

Aliás,
onde já se viu começar uma frase, assim, do nada, com "aliás"? Mas é plenamente explicável: eu estava no meio de um pensamento na minha cabeça... não, sem sequela..umas ideias concretinhas que andam se perdendo e se encontrtando em meus momentos acordados e inúteis...tipo, no ônibus, sem nada para fazer..nenhum papel na mão...
Enfim..  aliás, estou decidida a não dar trela para aqueles que não me dão trela. Radicalismo? rsrs... ué, mas se há tanta gente que me dá trela..por que dar a minha trelazinha ao léo? Isso suegundo a doutrina do amor-próprio elevado ao cubo.... Eu explico: sou o tipo de pessoa meio macha, ok... estúpida...tá, ok... porém, genuinamente empolgada. Portanto, faço "festinha" nas pessoas.. é isso mesmo, festinha... aquela que o melhor amigo do homem faz com o o dono.. Andei percebendo isso mais claramente quando, sabe-se lá porquê, vi que era só eu. Bem, não exatamente, mas sobretudo, isso quando notei não ser correspondida. Alguns seres chatos, outros de mau-humor, outros que me esforço para compreender e não achar que o problema é comigo.. pois não é mesmo! But, vi que sou assim, alegrinha-bicha-porpurinada-quase-beirando-o-ridículo. Quando ficou recorrente com algumas pessoas, caiu a ficha: eu sempre valorizo tudo e todos...e peco por isso... Não preciso gastar a minha lealdade/carinho/tempo/minutos telefônicos com pessoas que não sentem saudade de mim, ou que nõa se interessam por mim/minhas palavras/minha vida/minha presença/ meu carinho...
Não é óbvio????? claro que é... E quem disse que o óbvio sempre é óbvio??
Às vezes, muitas vezes, sou paga para explicar coisas óbvias para as crianças, porque para elas, não tem nada de óbvio... Se alguém se oferecesse para me explicar certas coisas, de graça, eu bem que gostaria...rsrs
Ou seja: não faço mais festinha para quem não me dá moral...e acho até que os ditos cujos já sacaram que eu saquei que eles..enfim... e então eu... isso aí mesmo... rsrs.,.. acabou o pulinho frenético, o ultra-abraço, a entonação saudosa, o largo sorriso, the end..
Dentre a crise da festinha canina, a crise do ensino, aluninhos barulhentos, salário atrasado e uma gordura localizada um tanto incômoda, você acredita que ainda me vem poeisa pela cabeça?...em parte, por meio de um viés musical que anda mantendo meu humor em high frequency...
Nesse ínterim... um espírito terreno, radicalmente realista, se desencava do chão, (imagina isso!, pois é, ele vem do chão...como o espírito do Natal Presente naquela famosa fábula de Natal.) e me puxa pelo braço:  "Acorda, ô garota! Esse negócio de vínculo empregatício dá mó trabalho...ou você acorda pra cuspir, ou vai ficar sem renda em dois tempos, sacou?"
Com muitas canções na mente, e nenhuma que eu lembre inteira, resolvo parar de flutuar e fincar-me na vida braçal... ouço um soar oportuno de música na rua, uma alfaia ao longe, e sinto o vento mudando, mas, num ímpeto heroico, uma espécie de salvação - da minha própria pele-, e volto a mirar o teclado...mas, queria tanto ouvir aquela canção do myspace da Fulana, mas preciso produzir e, todo o tempo do mundo é pouco para tanta produção!


Conclusão: desvio-me de-tanta-produção-que-o-tempo-pouco-possibilita para ler (via internet bem mais do que via livro) umas poesias e umas letras de música...
o que ando lendo/ouvindo:

JOSÉ



Carlos Drummond de Andrade


E agora, José?

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?


E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?


Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,


Minas não há mais.
José, e agora ?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…


Mas você não morre,
você é duro, José !
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,

sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?



Até o Fim




Chico Buarque
Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
"inda" garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou

Mas vou até o fim





descontruindo a utopia, gianna

euzinha

Nossa, não posso mesmo reclamar
Tenho tanto.

Tanto do que me orgulhar,
do que lembrar-me rindo,
memórias pelas quais suspirar.

Tantos são os percursos de minhas paixões,
minhas trilhas longas, negras, suadas, brancas,
intensas e silenciosas e até de cereja.
Mas, amores, apaguei-lhes o rastro.
e da memória fechei os olhos.

Os frívolos romances,
não me inspira levá-los ao teatro,
não tenho vontades de dar-lhes transparência,
de com eles passear sobre areia,
de presenteá-los com agrados,
de apresentá-los a minha avó.

No entanto, no silêncio ofegante da vida,
em destinos esporádicos à meia luz,
sou uma voz tímida e apaixonada,
um fragmento latente de romantismo,
que se refrata, iluminado a escuridão.

Naquele sublime instante, sim,
eu era sua e inteira.


gianna c.

nova mpb

estou in love pela garotinha, que vim descobrir a pouco, batizada com música na novela da globo... confesso, sou meio desinformada das fofocas... mas escuto, ainda sem conseguir cantar nem uma canção inteira sequer, com um sorriso no coração...
a garota é boa, pô...
além disso, nasceu em são paulo e não tem aquele penoso sotaque...
assisti um show, depois de conhecê-la pessoalmente..mas não dei crédito à princípio.. me enganei, ela é uma compositora especial e sua voz, suave, nem aprece vir do seu corpo!!

uma das que eu mais gosto de suas faixas autorais:
Laranja



Maria Gadú


Composição: Maria Gadú


Participação Especial: Leandro Léo






Ô menina, parece índia Ianomami seu cabelo preto breu


Simula um toque, que desabroche


Esse teu casto mastigado pelo meu


Se quer tamanho vou te inspirar alma


E afogar a calma salivando um beijo teu


Siga a seta e diga que sou seu



Venha sem chão me ensina a solidão de ser só dois


Depois te levo pra casa


Que o teu laranja é que me faz ficar bem mais



Se quer tamanho vou te inspirar alma


E afogar a calma salivando um beijo teu


Siga a seta e diga que sou seu

e outra...


Tudo Diferente



Maria Gadú


Composição: André Carvalho


Todos caminhos trilham pra a gente se ver


Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu


Eu ligo no sentido de meia verdade


Metade inteira chora de felicidade


A qualquer distância o outro te alcança


Erudito som de batidão


Dia e noite céu de pé no chão


O detalhe que o coração atenta


Todos caminhos trilham pra a gente se ver


Todas as trilhas caminham pra gente se achar, né


Eu ligo no sentido de meia verdade


Metade inteira chora de felicidade


A qualquer distância o outro te alcança


Erudito som de batidão


Dia e noite céu de pé no chão


O detalhe que o coração atenta



bjocas dançantes

Sintonia FM

Eu encontrei essa semana, entre antigos escritos, uma redação em inglês, provavelmente um dever de casa do cursinho... Nela, eu afirmava não viver longe do rádio e do walk-man, (lembra dele?). Hoje em dia, o apego aos negocinhos tocadores de música é imenso... pois bem...eu havia me esquecido deles... antigamente, era um vício...
Há dois anos adquiri um mp3... e foi a glória..mas, sei lá porque, enjoei... é que, na verdade verdadeira, sempre tive uma certa preguiça para computador e outras tecnologias...Tinha amigos com bip..eu nem aí. Já era mocinha, então comecei a ficar saidinha e minha mãezinha me deu um (cavalo de Tróia, digo..) bip de presente para me encontrar quando eu dava uma sumida sem deixar rastros. Não tive escapatória. Mesmo assim, o tal troço ainda dava uma brecha... você tinha que retornar o contato para aqueles que tinham lhe enviado a mensagem, coisa que eu dificilmente fazia. Foi quando veio com força o tijolo-celular. E, quem diria que eu, a última dos moicanos a possuir um exemplar, fosse depender tanto dele hoje em dia, para trabalhar & badalar. No entanto, mesmo hoje, prefiro ao vivo, a cores e na rua.. mas, devo confessar, não seria ninguém sem tais coisinhas. Imagina só, ter de bater os materiais dos alunos na máquina, sem possibilidade de erro.... e tirar cópias no mimeógrafo!!! (me dá até vontade de rir!) E internet? Nem se fala!!! E pensar que o mundo é velho e assim viveu antes dessa ferramenta nascer..
Foi então que fui roubada em maio/junho..sei lá quando, e fiquei sem celular... o pretendido era adquirir novo aparelho o mais rápido possível.. mas.... fiquei quase três meses sem celular. E foi ótimo!! Perdi alunos, fato, mas também, fiquei menos estressada e gastei menos dinheiro! Não existe urgência quando não há telefone celular na sua vida! Simplesmente, é outra vida!
Bom, em menos de dois meses, as pressões sociais me exigiram um meio de ser contactada... Comprei uma secretária eletrônica... quer tecnologia mais clichê que uma secretária eletrônica? Resolveu as urgências das pessoas, mas... como marcar um cinema? Como saber que a pessoa com quem você marcou vai se atrasar? Como receber uma notícia qualquer que seja uma emergência?
Conclusão, não pude ficar sem celular por mais tempo. comecei a sentir falta...meu despertador era ele, minha agenda era ele...

Com, meu novo aparelho em mãos, fui redescobrindo suas facilidades e seus estresses... interrupções inoportunas, broncas da minha mãe estressada, tensão quando pega de surpresa por seus barulhos... enfim...
Mas descobri que esse, dessa vez, embora bem simples e básico, tinha rádio FM. E eu, que já havia abandonado o mp3 por pura preguiça & correria acabei voltando a ouvir rádio como fazia aos 12 anos... toda hora, em qualquer canto, com exceção do Metrô, que ainda não é tão avançado para pegar o sinal do rádio.

Assim sendo...estava eu a escutar o benditinho, quando parei a lojística do dia para refletir sobre a seguinte pérola do Peninha..(delícia, delícia)


Sonhos



Peninha


Composição: Peninha

Tudo era apenas

Uma brincadeira

E foi crescendo

Crescendo, me absorvendo

E de repente eu me vi assim

Completamente seu...



Vi a minha força

Amarrada no seu passo

Vi que sem você não tem caminho

Eu não me acho

Vi um grande amor

Gritar dentro de mim

Como eu sonhei um dia...



Quando o meu mundo

Era mais mundo

E todo mundo admitia

Uma mudança muito estranha

Mais pureza, mais carinho

Mais calma, mais alegria

No meu jeito de me dar...



Quando a canção

Se fez mais forte

E mais sentida

Quando a poesia

Fez folia em minha vida

Você veio me contar

Dessa paixão inesperada

Por outra pessoa...



Mas não tem revolta não

Eu só quero

Que você se encontre

Ter saudade até que é bom


É melhor que caminhar vazio

A esperança é um Dom

Que eu tenho em mim

Eu tenho sim

Não tem desespero não

Você me ensinou

Milhões de coisas

Tenho um sonho em minhas mãos

Amanhã será um novo dia

Certamente eu vou ser mais feliz...

 
 
 
Merchan - que em nada me enriquece - "MPB é TUDO!" na agradável voz da Talma.
 
Inté brevs

hum... que vontade de cantar..

um daqueles fins de semana que revigoram...mesmo que continuemos morrendo de sono durante as manhãs inteira, e que a fala insegura fraqueje...e nem o arominha de molhado  foi capaz de trazer nostalgias capazes de me tornar anciã... fui criança...pinto no lixo..dançando muito, em dois dias lindos, cercada de amigos queridos, recentes e antigos, suados e sequinhos, bêbados e sóbrios... do Rio, de Niterói, (de Porto Alegre?)...

que alegria...que maravilha.

L. Gonzaga

Vem amor, vem cantar
Pois meus olhos ficam querendo chorar
Deixa a mágoa pra depois
O amor é mais importante a dois

Chora sanfona sentida em meu peito gemendo
Vai machucando
E meu peito de amor vai morrendo
Qanto mais chora
me entrego todinha ao amor

E o teu gemido disfarça
Em minha alma essa dor...

fábula moderna

devia ouvir mais a minha avó.

ontem, eu resisti... me senti forte, correta, tentada, seduzida... me senti adulta... me senti proprietária dos meus sentimentos... para tirar o peso dessa escolha, reparti com alguns amigos, majoritariamente mulheres.. apenas uma concordou com minha resistência....
é muito difícil não se deixar envolver... "His eyes upon your face, his hand upon your hand "... não posso afirmar categoricamente que não me envolvi... daquela vez, fiquei séculos pensativa, querendo, lembrando... mas, dessa vez... " His lips caress your skin. It's more than I can stand" eu precisava ser complacente... com aquilo que me faz bem e com ninguém mais... "Te ver e não te querer, é improvável, é impossível. " Fiz uma saída quase à francesa, estava fugidia, malemolente... "ter que esquecer é insuportável, é dor incrível." ...com direito a mini D.R. e tudo... eufemismos de discussão, para bom entendedor...


Mas o que é o certo e o errado quando o assunto é relacionamento?
Só sei que corro o risco de me arrepender... e depois, eu não iria me submeter... hum, isso é que não... Nada, nem momentos sublimes de ternura e desejo, sobrepuja a penosa escolha de ir contra si mesmo...mas é: viver o momento versus pensar no futuro....e esse filme, eu já assisti...no, thank you. Viver inconsequentemente traz resultados imprevisíveis...mas, quer saber...até topo viver isso de novo, se for necessário, mas com outra pessoa e outras questões...

obrigada...

acho até que vc me melhorou!!! meu cabelo tava bem mais desgrenhado na foto!! rsrs

http://www.flickr.com/photos/cooljohnny/3911374718/

místico

Reparaste que sou áspero?
Embora muito lírico,
viste que sou ímpio?
Que sou ávido,
colosso e impávido?
E se bem olhaste,
vislumbraste aquele ritmo
que culminou naquele ímpeto?
Com um soar sustenido,
feito picada sem antídoto.
Espero que tenhas bem vivido
tal instante onírico.
Pois conheceste meu íntimo,
embora apenas um ínfimo.


gianna c.

leitora afinada

e rouca.... mas são os ossos....

muito feliz, muito. (Zip-A-Dee-Doo-Dah. Zip-A-Dee-A. My oh my, what a wonderful day! )

Estive em mais um lugar de belezas e descobertas no fim de semana... foi magia... uma coisa.
conheci mais um pedaço de terra que se finca na minha experiência..pena não poder dizer o mesmo da minha memória visual..no entanto, se tudo correr como eu planejo, embora, planejar seja algo meio traiçoeiro, voltarei lá antes de esquecer-me das ruas, de onde fica a cachoeira, de onde ir para comprar pão... de uma certa trilha errada que rendeu risos e piadas... poucas fotos...quase nada.... mas, como todo momento sublime, suas lembranças são sensoriais.
e voltei ao trânsito do RJ cheia de poesia.... essa noite sonhei!!! depois de muitas noites só de sonos...


além disso...
Menina, nem te conto..me formei...foi muito legal..adorei...segundo mi madre, sou baderneira...hahahahaha.
well, i`m a teacher...e muito embora minha formação seja bem brasileira, tô na lingua estranja.. e segundo dizem, pegando pesado... ok, vou ser mais light! I promise!

e além disso,
karla, karlota, minha amiga cantora, canta essa? pedidos muitos, mas, é que tô bem achando q vc tem surpresinhas de repertório...rsrs, ai, como gosto...aliás, sua voz, meu bem, e seus encantos....

só de ler eu a escuto ..... e me ferve a causa:

Vinicius & Odette LaraVinicius de Moraes e Odette LaraElenco . 1963
BerimbauVinicius de Moraes / Baden Powell


Quem é homem de bem, não trai
O amor que lhe quer seu bem
Quem diz muito que vai, não vai
E assim como não vai, não vem
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem não tem
Capoeira que é bom, não cai
E se um dia ele cai, cai bem!
Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza, camará



rs
por fim,

me deparei com isso, não deu para ignorar, desculpem compatriotas fêmeas, mas palavra do vinícius é lei.

Vinicius & Odette LaraVinicius de Moraes e Odette LaraElenco . 1963
Mulher cariocaVinicius de Moraes / Baden Powell
Ela tem um jeitinho como ninguém
Que ninguém tem
A gaúcha tem a fibra
A mineira o encanto tem
A baiana quando vibra
Tem tudo isso e o céu também
A capixaba bonita
É de dar água na boca
E a linda pernambucana
Ai, meu Deus, que coisa louca!
A mulher amazonense
Quando é boa é demais
Mas a bela cearense
Não fica nada para trás
A paulista tem a "erva"
Além das graças que tem
A nordestina conserva
Toda a vida e o querer-bem
A mulher carioca
O que é que ela tem?
Ela tem tanta coisa
Que nem sabe que tem
Ela tem o bem que tem
Tem o bem que tem o bem
Tem o bem que ela tem
Que ninguém tem, que tem
Ela tem um pouquinho que ninguém tem
Ela faz um carinho como ninguém
Ela tem um passinho que vai e que vem
Ela tem um jeitinho de nhem-nhem-nhem
A carioca tem um jeitinho de nhem-nhem-nhem
Tem um jeitinho de nhem-nhem-nhem
Tem um carinho também
A carioca faz um passinho de nhem-nhem-nhem

ai, vinicius!

sabe o que é...?...é que a nós somos só formiguinhas diante das criações, aliás, somos também, mínimas criaturas, mas somos providos de poesia...e isso, inevitavelmente, faz toda a diferença..
as simplicidades nos impelem a correrias.... por isso mesmo, é preciso, recheá-las de poesia...
nada como uma bagagem romântica, uma pitada de sonhos e carinhos a gosto para se apreciar a poesia amorosa do vinicius... nos momentos mais românticos e como consolo em grandes perdas:
dá-lhe v. de moraes para nosotros.


Soneto simples

Chegara enfim o mesmo que partira:
a porta aberta e o coração voando ao encontro dos olhos e das mãos.
Velhos pássaros, velhas criaturas, algumas cinzas plácidas passando
– somente a amiga é como o melro branco!

E enfim partira o mesmo que chegara;
o horizonte transpondo o pensamento e nas auroras plácidas passando o doce perfil da amiga adormecida.
Desejo de morrer de nostalgia da noite dos vales tristes e perdidos…
(foi quando desceu do céu a poesia como um grito de luz nos meus ouvidos…)

Rio de Janeiro, 1938in Novos Poemasin Poesia completa

só para dar oi...


meu brother.

Eduardo:
O que está fazendo acordada a essa hora? Vai dormir!3:34

gianna: eu te amo!!!



Eduardo:Ih, meu pai, deve tá chapada pra tá se declarando assim de graça!
Não adianta bajular não! Vai dormir!

P.S.: Tb te amo!!!

gianna: nem uma gotinha da álcool...mas é que diante de pessoas imprestáveis ou de emoções muito fortes reconhecemos o valor daqueles que nos são caros...

Eduardo:
Tá vendo?, tem que ver as porcarias que existem pelo mundo a fora pra dar valor ao maninho! Se quiser conversar, senta aqui no meu colo, encosta a cabecinha no meu ombro e diz pro seu seu caçula o que tá pegando!

gianna:
ô, irmão...gracias pelo mimo...mas nada foi grave o suficiente para perturbar minha paz, ou melhor, perturbou a paz, mas não me tirou o sono....
o que me tira o sono a essa hora é o meu pensamento...matutando, maquinando e evoluindo, espero eu...aí, preciso virar criadora e deixar de ser criatura.

lápis semi-novo sem ponta

sei lá...um sei lá no meu caminho...até que...as crianças...surpresas...mas comecei a me divertir...mas...decidi que não quero ser mãe..apesar do carinho que tenho pela ideia de educar....bom, pelo menos até aqui aonde cheguei....e apesar do instinto maternal...ando muito pouco a flor da pele...uma...apatia...um nada ambulante....de repente sorrisos...tô curtindo...nada de vender a alma...sou até uma professora meio braba.....mas no fundo fico sorrindo...e me apaixono por alguns alunos...uns brilhantes, outros educados e outros bagunceiros...q coisa!!!!
MAS ME APAIXONAR DE VERDADE...hunf, difícil...deve ser uma aparente maturidade que se apresenta somento pelo lado de fora....
e o que foi que acoteceu com a menina que neste mesmo espaço declarou apaixonada PELAS PESSOAS e pela vida??



as pessoas andam me decepcionando muito...e eu não as condeno... inclusive, tenho diminuído meu grau de exigência com elas....é, de fato, posso ver meu crescimento nesse ponto..sabe aquele erro que o orgulho não perdoa....acho até que sou capaz de perdoar...se a pessoa se arrepende...com humildade...mas me entregar de olhos fechados??? no way.


pior é quando se sabe que nós sempre idealizamos...não sou do tipo romântica escorregadia, mas, sei que uma a mais razão para me desapontar são essas feias ideias pré-concebidas.... melhor é ter amigos redondos... e vou amá-los com seus defeitos, com suas bifurcações...com a complexidade das relações e a compreensão dessa complexidade...mas, que paixão sobrevive sem sonho, sem utopia???

tô indo...pra gandaia, claro...sempre na correria e adiando mil outros assuntos... mas é que vou com mil amigos queridos.. não posso viver sem isso....

Sorte no jogo

novo momento suprassumo do workaholic - superfeliz!!!
sabem quando "celebridades" dizem que estão pensando apenas em trabalho e não dá para pensar em mais nada - geralmente fugindo de uma pergunta sobre a vida pessoal- ?
Justamente como me sinto, a diferença sutil é que não sou capaz de negligenciar meus sentimentos, mas prefiri, pura falta de opção mesmo..., adiar essa coisa....
Decorrente disso..olha! quem diria? E o tanto que reclamei no ouvido da vovó que a vida, e o dinheiro da carreira, mais para uma carreirinha, se fosse o objetivo, do que para a profundidade espiritual dos provérbios...
Uma oportunidade de emprego aproveitada!! E, como que por magia - das brabas!! - mais uma e mais uma!!!! HAHAHAHA, mas eu tô rindo à toa.... e mês que vem, nossa, vou garagalhar!

Ainda assim, ouvi o vinil do Tom..da titia...
quase chorei..lembrei de dois antigos romances..e dá-lhe aquela nostagia, a la gil, comparada à despedida que traz a morte...
Mais que tocante!
Era "Minha" do Luiz Eça. Que coisa, Meu Deus....

Por hora, just this.
Um beijo entusiasmado

versão brasileira

ok, versão gilda positiva, mas...

cara, por que será que a gente se desaponta com os seres? (pergunta retórica!)

porque esperamos que eles tenham consideração, no mínimo, conosco, ou porque acreditamos em caráter sem conhecermos a complexidade da personalidades dos indivíduos...ignoramos o que a própria palavra indivíduo nos traz: unidade, um...

Mas, segundo a doutrina do sábio filósofo Timão: quando o mundo vira as costas pra você, você vira as costas para o mundo... no meu caso, bem específico, darei ao mundo uma umbigada ( vide jongo e coco, ambas danças de umbigada)
enfim, sós: eu e o LP da Elis, emprestado da titia - que odeia ser chamada assim!
Dear R. M., lembrei de você, não sei porquê....
(e gargalhada macabra como não poderia deixar de ser: HAHAHAHAHAHAHAHA!)


Eu hein rosa !
Te manca, segura essa banca, que escrupulosa!
Eu hein rosa !
O meu jogo é na retranca, área muito perigosa
Você parece que nem lembra mais de tempos atrás
A tua figura era vergonhosa
E eu me dividi querendo reconstituir
A quem hoje me vira o rosto assim
Mas, eu nem me abalo
Você vai cair do cavalo
Quando precisar de mim
Eu hein rosa !
Vem mansa porque a contradança é mais audaciosa
Eu hein rosa !
Apelar pra ignorancia é uma coisa indecorosa
Eu acho que estou é forçando demais as cordas vocais
Você não merece um dedo de prosa
E pra resumir, faço questão de conferir
Se se quebra ou não um vaso ruim
Saia no pinote
Senão vai ser de camarote
Que eu vou assistir teu fim.



Composição: J.Nogueira/P.C.Pinheiro


Como são vingativos esses meninos!!!

mil vezes infinito

chove...
é impressionante, quando vou escrever (post, comentário, depoimento, e-mail pessoal) sempre vêm muitas canções na minha cabeça, mas quando faço meu trajeto até a faculdade, as benditas desaparecem todas da minha mente...e é justo nessas horas que mais as desejo frescas...

enfim, chove, e eu nem sabia que ia chover...mentira! claro que sabia.. oras... se não saí por isso! uma chuvinha forte cujo som traz um certo reconforto...essa ausência de silêncio me mantém acordada durante a noite, embora de dia, a luz mais me atrapalhe o sono.
chove à beça... água infinita...ininterrupto legatto....
e chove cheiroso... nada daquele cheiro salgado de mar...mas um cheiro doce, não de terra molhada, mas de chuva urbana. mesmo.
geralmente sonho com água: ondas, tsunamis principalmente, mar, enchentes, piscina, rio.. mas nunca com chuva...
que será que quer dizer sonhar com água??
andei sonhando com jacarés numa época... recentemente, uma cobra me envenenava no meu sonho..um dia depois descobri uma traição de uma pessoa muito amada que não esperava...se bem que traição é uma palavra tão forte...uma pisada na bola grave... melhor assim...
De qualquer forma, queria associar o sonho com a vida.... seriam mesmo metáforas do que foi vivido, como Freud defendeu? Seriam registros de traumas alojados no inconsciente?
Ou seriam mecanismos de uma comunicação com a intuição... ou ainda vislumbres do futuro?
Uma tal de boneca cega levantou essa lebre durante um papo... minha cara, não descobri, mas alguma hora isso virá à tona...

qui mané u quê!?!

ou Ainda bem que tenho amigos..
Eles (vocês) fazem a vida FAZER SENTIDO...
sou assim mesmo, nada além do gráfico de altos e baixos da minha plenitude, às vezes eu mesma me espanto, não é de se admirar que os outros também se espantem. Já me questionei até se eu não seria bipolar...mas vi que faz parte do lado gêmeos: intensa na alegria, beirando descontrole eufórico, louca, louca, e intensa na dor, parece que nada faz sentido e o mundo pode acabar... mas sei, sei sim, que passa...só não tenho paciência para o tempo que tudo conserta.. rsrs
Pelo menos vivo esse crescendo para me libertar das amarras e soltar lágrimas e criatividade!!! (Oh, e ela consegue ser positiva. uhu!!!) ontem foi tudo maravilhoso, ainda caminhando na linha: arriscar pra petiscar...com exceção de uma tsunami que me abalou, e ainda abalará as estruturas por algum tempo, mas...hoje, hoje foi um sonho... muitas pessoas queridas, muito queridas. Só alegria e música, e que músicos! Parece que é uma perspectiva que se abre dando chance para os sonhos deixarem de existir na imaginação...aqueles sonhos dançantes, principalmente.
Para coroar as últimas... 30h de sorrisos, só se houver um belo sol nessa manhã de segunda-feira!!! Ih, só sendo muito positiva mesmo pra acreditar nisso...rsrs
memorável!
em homenagem às dançantes, dentre elas a hello kitty e o mestre cuca, e aos nossos músicos....

Tropicana
(Vicente Barreto e Alceu Valença)
Da manga rosa quero o gosto e o sumo

Melão maduro, saputi, juá
Jaboticaba seu olhar noturno
Beijo travoso de umbu-cajá
Pele macia
Ai, carne de caju
Saliva doce, doce mel, mel de uruçú
Linda morena
Fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vem me desfrutar
Morena tropicana
Eu quero teu sabor
Ai, ai, oi, oi

tão grande amor?

Não há estrelas no céu.
Queria entender. Só isso.
(Não sou capaz de acreditar que não haja explicação.)

Por que todas as coisas mais sinceras nascem da dor?

Cheguei às 4:35 em casa. O zumbido repercutia em todo o meu corpo. Vidro goela adentro, um rosto plástico. Eu, seca, por dentro. Choque, dores, músculos retesados, um imenso gozo de ácido lático. As extremidades dormente, o interior revirando-se. A ausência de paz. Os olhos marejados.
Uma noite.
É tudo o que se precisa para entender uma vida inteira. Eu enxergo, agora, no vazio uma implosão. A pele mais exterior só reflete o oco de dentro.
Palavras ao vento? Nem tanto. Forma escritas na areia que a onda come.
Somos todos fragmentos de um presente que em segundo se torna um dejavu de antigamente. Nada dura.
O suingue, aquele de sempre, é o que me consola. E a nostalgia que me destes, se quebrou. Só serviu para reviver antigas pegadas na areia.
O que eu sou então? Uma imagem holográfica, um vulto de sorrisos, uma saia rodada, que torces para que o vento carregue para longe.
Eu vou, vou, sim. Vou mesmo, viu?
E se um sorriso me recebe, retribuo.
Não há culpa. Não há desculpa.
E no silêncio, sem bocejo e sem gemido, só então, entende-se o erro de um ano inteiro.
Havia, sim, uma intuição, um duvidar vago. Porém, precisei de Sete luzes, suor e refletores para poder vislumbrar um fragmento de memória modificada por mim. Santas luzes, senhores.
E eu fui indo, pela tangente, à francesa, sem despedida ou discurso. Vejo que apesar do barulho, haverá um silêncio mórbido, um mute nessa cena.....
Mas vou aonde? Chegar aonde? Creio não poder parar...é um, não sei, carma.

Tomara, meu Deus tomara..que a onde leve esses escritos na areia, que leve para longe da minha memória, junto com aquele dia branco, se branco ele for.
O dia se pinta, ele não vem branco, em silêncios nublados. É azul. Ora, ora, não estou mais só: ouço um passarinho entoar aguda canção.

um vocativo e uma vírgula

Fiquei ali sentada olhando para o lago, que o céu refletia. Sr. H se aproximou, trocamos meia dúzia de palavras..o nada, o tudo, o amanhã...Nunca se fala o que se quer falar quando há algo realmente importante a ser dito. Outras palavras substituem as reais necessidades de comunicação. Olhava para as águas turvas. Sr. H me olhava. Quando me senti alvo do calor de seus olhos, virei-me para ele. Ele torceu o rosto.
Não houve sequer menção daquilo que deveria ser conversado. Por um momento desejei falar, mas esperava friamente uma reação dele. Por que eu? Por que eu deveria tomar atitudes, afinal? Por que uma iniciativa de minha parte era necessária? Sempre eu?
Só porque sou discípula das ações e não apenas das ideias. no entanto, estava decidida a não interferir nas atitudes dos outros: perdia com isso, certamente, mas, ao menos, via as reais atitudes dos outros se manifestarem originalmente.
As palavras, desleais escudeiras... essas monstras que se transformam em agrados, infinitos amores. Uma entonação e não mais estamos no mesmo lugar. E um silêncio.. apenas um silêncio pode vir a desmoronar castelos que voltarão a ser areia...um adeus em forma de trava fonética: nada se diz, mas sabe-se que o mundo desabaria com algumas palavras e toda a ordem se perderia, e tudo podia ter sido diferente.
Sr. H. limitou-se a elogiar algumas coisas vagas em mim, nada de relevante, embora seu elogio me causasse um aquentamento vermelho nas faces.
Retirou-se pelo lado iluminado, eu saí logo depois, mas fui pelo lado mal iluminado, quase como quem se esconde na escuridão. Por fim, despedimo-nos todos. Sorrisisnhos, foi bom te ver, até loguinho, querida. Sr. H. chamou meu nome: Vocativo e uma vírgula.... reticências.
- Oi?
- Nada.
- Nada?
-Se cuida.
-Você também.

Não-coisa

Esse poema do Ferreira Gullar descobri, entre muitos mais, em alguns estudos... para mim ele contém uma mensagem filosófica em que qualquer objeto se define como tal na medida em que o homem o entende, por exemplo, se há um objeto, ou um tipo de bicho que o homem desconhece, não há nome que possa retratá-lo. A mente humana nomeia, mas o objeto é enquanto age, caso contrário, não é, apenas está, no máximo.
Esse Gullar não é pra qualquer um....ele reflete e exige que o leitor reflita acerca da existência. Ao poeta do concretismo, como bem sei, cabe a desconstrução das coisas, concebíveis, antes de tudo, por meio da linguagem, que traduz o mundo, mas a percepção não mora na língua, e sim nos sentidos. E, por isso, não precisa sequer de palavras, apenas de uma vida que a tenha em silêncios.
Com vcs.... Não-coisa.
O que o poeta quer dizer

no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.

Uma fruta uma flor
um odor que relume...
Como dizer o sabor,
seu clarão seu perfume?

Como enfim traduzir
na lógica do ouvido
o que na coisa é coisa
e que não tem sentido?

A linguagem dispõe
de conceitos, de nomes
mas o gosto da fruta
só o sabes se a comes

só o sabes no corpoo
sabor que assimilas
e que na boca é festa

de saliva e papilas
invadindo-te inteiro
tal do mar o marulho
e que a fala submerge
e reduz a um barulho,

um tumulto de vozes
de gozos, de espasmos,
vertiginoso e pleno
como são os orgasmos

No entanto, o poeta
desafia o impossível
e tenta no poema
dizer o indizível:

subverte a sintaxe
implode a fala, ousa
incutir na linguagem
densidade de coisa
sem permitir, porém,
que perca a transparência
já que a coisa é fechada
à humana consciência.

O que o poeta faz
mais do que mencioná-la
é torná-la aparência
pura — e iluminá-la.

Toda coisa tem peso:
uma noite em seu centro.
O poema é uma coisa
que não tem nada dentro,
a não ser o ressoar
de uma imprecisa voz
que não quer se apagar
— essa voz somos nós.

autor


eu quero escrever um livro.

algumas ideias me embaralham...

muitas pouco poéticas... algumas meio nebulosas, outras impiedosas e modernas...e várias, dezenas delas, infanto-adultas.

hum....

com o caração em casulo..

minutos fora da ordem.

um momento, por favor, só um momentinho.
era uma sala vazia e uma mesa de recepção.
um momento, já vou lhe atender.
uma reverberação de ansiedade do lado de lá.
um segundo, só um só.
um frêmito, calafrio, um espasmo, hipocondria.
mas é só aguardar um instante.
a água no copo se espatifou no chão.
só mais um minuto, por favor.
era um autismo incandescente.
só mais alguns instantes.
o tamborilar dos dedos, o soar hipnótico de uma música telefônica.
vou lhe passar ao ramal que atende a sua solicitação.
maldita solicitude.
mais uma canção e uma porção de minutos.
já não se quer mais nada.
só um micro instante para desligar-se do enfado auditivo com ódio no coração.

minha área.

Na monografia de conclusão, estou tratando da expressividade linguística do jongo...

Um olhar para o passado, para coisas que apenas hoje são parte da minha realidade.


Quem me inspirou, ela nem sabe, foi uma pedagoga em formação, já formada advogada, estagiando sem contar aos supervisores que era formada.

Ouvir ordens singelas como as pertinentes ao cotidiano escolar para alguém que dava aula de português e ainda trabalhava com o chato mundo da advocacia, imagine, é quase um pleonasmo..um descer para baixo.

Mas era pela modéstia que ficava a paciência amplificada.

Um dia, sabendo das minhas peripécias dançantes e aventuras artísticas, sugeriu, aquele era o caminho que se descortinava em minha frente... na época, há uns..quase três anos atrás, foi apenas uma dica..pista do que viria..uma pulguinha na orelha..

Na época, disse, é, meio descrente..sem fé. Foi quando as coisas se materializaram... e fizeram um semi sentido no meio do meu desejo. Foi com muito tesão que me aproximei do assunto. Mas ainda faltava o tema...o eixo.. porque, sabe, esses estudos são coisas complicadas..mexem com muitas coisas...ainda mais esse que é meio sociológico..e meu professor ia topar essa sociologia toda?

Tô estranhando até agora, mas ele topou. Se foi porque estava doidão, ou porque não quer ser o cara que impediu uma ideia tão doida e delicada de criar asas..não sei..e nem quero. Eu vou que vou.

E enquanto tudo fazia sentido, pensei...e se aquela moça tão severa e doce não tivesse plantado essa semente? Será que eu estaria aqui? Perdendo - ou seria ganhando? - o domingo cara a cara com o computer?Depois conto minha nota!

Encontro de Comunidades Jongueiras realizado no Quilombo São José - 2009


é, né?

tenho que colocar duas coisinhas, inhas, inhas, sobre esse acontecimento que parou as mídias e está adiando todos os demais assuntos.

choque:
1- a sensação que se tinha era a de que Michael era imortal, mas se ele pode morrer, se esse cara morre, qualquer um pode!!!


outra:
2-será q para o MJ, não importava ser preto ou branco?


fala sério, much more intersting in black..
ainda monografando.

água-doce

o ciúme é uma diarréia do amor... quase como um nó numa lágrima, uma agulha sem furo...

estive pensando em minúscula.
refleti sobre vidas que vivi dentro da minha vida, sobre preços que colocamos nas coisas, ignorando que cada um põe nas etiquetas o preço que quiser, sobre apelos que fiz aos outros, sem notar que deveria fazê-los a mim. ponho preços altos...por isso, sofro em altos preços.

não entendo o porquê.
faço microfuros na minha pele...e um modo quase psicanalítico de me ferir, e assim, de ter uma desculpa para ter pena de mim. mas independente disso, sofro por mim e pelos outros...choro por mim e por todos.
meu pai diz que quando a pessoa chora muito é porque sente pena de si mesmo. eu acho que eu choro quando, (bem "freud"!), vejo dores como as que tive e, em alguma instância, reconheço a dor dos outros e me solidarizo.

sou do tipo que acha que não devemos ter pena de ninguém, mas também não acho que "bem feito!" e "ele mereceu!" devam ser ditos. cada um valoriza o que quer, às vezes por não saber outro valor, por não ter tido outras vidas dentro de sua própria vida. é que, talvez, quem esteja de fora, possa contribuir, ensinar, passar algo... e eu... ora eu gosto de falar dessas vidas que tive, meio em desabafo, meio pretendendo que quem ouve, consiga captar sutilezas e aprender...afora o sangue professoral que hoje em dia corre em minhas veias...

só que, na maior parte das vezes, as pessoas não aprendem ouvindo, elas precisam viver e colher seus próprios frutos e chorar e sofrer. e aí, é aí mesmo, que eu que gosto delas, me envolvo, e, com elas sofro.

três acontecimentos diversos, totalmente, me motivaram tais conversas-com-botões: um rostinho de mágoa, será algo que eu fiz ou falei?, que me prova que meus preços são diferentes.
a intransigência de uma serzinha, que acompanho e me cansa.
as lágrimas de uma amiga, que não acompanhei, que nem sequer vi, mas que agora sei e sinto com ela, um desejo de viver apesar de tudo.

com eles aprendi: dez milhões de vezes! que os preços são variados e infinitos.
a mágoa é pesada para quem a carrega, e mais ninguém pode sentir ou avaliar seu preço.
tantas vezes não me entenderam as lágrimas, agora os entendo.
a intransigência é um bloqueio, uma cegueira que pode durar, até que, quem sabe, alguém ajude aquele ser a desobstruir a luz...e de repente, nem todas as palavras do mundo exercem maior efeito que a própria experiência.
tantas vezes me detive em questões que, independente de seu valor, acabam com a qualidade das vidas. não vale a pena.
e as dores, são algo do fundo da alma. a gente passa dias, noites, anos, pensando no que fez de ruim, em que errou, qual a razão de tamanha dor/amor, por que não é valorizado o nosso esforço, nossa dedicação, nosso sacrifício. para tanto, a religião conforta, alguém portador de todos os pesos e medidas há de valorizar, cada passo, cada amargura. mas não explica totalmente.
tanto já sofri com preços altos que eu mesma pus... hoje em dia, a casca mais grossa, não quero permitir sacralizar nada nem ninguém..quero amar todos os seres, intensa e sinceramente. quero a política da boa relação.
para mim, atualmente, equivale a lembrar que as pessoas vêm e vão, todas, até papai e até mamãe. os processos vêm e vão, para nossa tristeza e alívio. os momentos vêm e vão... a única coisa que fica é a massa incógnita daquilo que somos, resultado de todas as pessoas que pisaram em nós, todas as pessoas que nos construíram, dos processos dolorosos e traumáticos, do amadurecimento, dos frutos maduros e doces que colhemos, das forças que encontramos, das felicidades que tivemos e dos momentos de amor. só isso.

ressalva

alguém lembra que disse que em inferninho astral escreveria mais? pois é... descobri que não..

uma ressalva, com cara de ps mesmo: a sétima Flip rola entre 1 e 5 de julho, em Paraty, Rj e homenageia o escritor pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968). "A obra poética de Bandeira ocupa lugar indiscutível na tradição literária brasileira. Livros como A cinza das horas (1917), Carnaval (1919) e Libertinagem (1930) tornaram-se marcos da poesia brasileira – mas há tempos não são objeto de atenção do meio editorial. "

entre planejamentos comemorativos, planejamentos de textos, planejamentos de viagem e planejamentos de mil assuntos e uma oportunidade de trabalho descartada em função da reta final uerjiana, há um estado rigidamente ativo na vida acadêmica, embora haja um outro ramo com um permanente estado de malemolência quase náutica do qual não posso escapar, mas é que simplesmente me chateia esse negócio de cruzar os braços e esperar...enfim... tão amplamente correndo que virei maratonista.

no auge dos dias sem almoço e das aulas sete da manhã com a minha ausência, lembro que vou ficar mais velha...

é sempre assim, tempos antes, fico apática em relação a data...já não quero nada, dispenso até as mais suculentas barras de chocolate, os presentinhos...

só tenho dado mais atenção aos compromissos inadiáveis e a uma vó desmemoriada que vira-e-mexe me causa algum distúrbio na sonolência do automatismo.

Troco todas as manhãs da semana que passou por sete noites de quinta feira...

sem mais ladainha ou reclames...
escrevo em breve... não tão breve como desejo e nem tão tarde que alguém sinta minha falta...

nas reservas do susto

quando uma coisa nos pega de surpresa, nos tira da normalidade tão cômoda, dos clichês de nossas mundanidades...
quando uma mero fato desnuda mil outras histórias que se podem descortinar, quando um não pode abrir um leque de novos "sins", de virtudes ou de pecados.
pode ser, no entanto, que o novo acabe formando um... um novelo com o, antes óbvio, carretel desenrolado...
e nele se enrolam as possibilidades que beiram o acaso, mas que são apenas histórias escritas no imaginário...
as surpresas causam frissom, um êxtase desconhecido, um sintoma em cada estômago...
mas é severo o apelo ao passo a frente...alguém precisa fazê-lo.
(só que no fundinho murmuramos: -eu, não!)
a iniciativa... é um start, uma ignição a uma gama de acontecimentos como consequência..
é, sim, é preciso começar...

hesitar.
fazer.

quando se tem um vislumbre do porvir, quando se conhece uma fração daquilo que pode, porventura, ocorrer, hesita-se.
a experiência faz a regra.

um não, um quem sabe..uma indecisão...e tudo não é mais como antes...finda o poderia ser...e nasce o tão costumeiro "e se".
mas, o "e se" não existe....
apenas o "to be or not to be."

monografando, uma gilda sem carnaval.

inferno astral + TPM = ultrarromântica

Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será
Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras
Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor ora sempre viva
Minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será
Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras momentos
Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento





Marisa na minha cabeça

rapidinho


acho que hoje é o início do meu inferno astral.
isso significa que:
1. escrevo mais.
2. sou mais intensa.
3.grande chance de mais coisas não darem certo.
4. estou me auto-avaliando mais que o normal.
5. vou ficar ansiosa até a data, para quando ela chegar ficar borocochô e sem vontade de comemorar para bem depois me arrepender e novamente pensar em fazer algo realmente legal ano que vem.
rs

ai, como é previsível ser esse imprevisível...

ai, a educação..

Não, não sou a Senhora Etiqueta personificada. Mas, PeloamordeDeus! O povo anda muito mal-educado! Antigamente, era com licença, fique à vontade, disponha, perdão, por favor, obrigada, pode passar, senhora, quer sentar, homens cediam lugares a mulheres, etc. Ok, a igualdade dos direitos, ok, ok, cavalheirismo caiu de moda... mas nem que seja por gentileza... pura, puríssima vontade de agradar, que já vale mais do que o falso altruísmo...
Afinal, quando você pede desculpas sem se arrepender, de fato, o que é? É pura vontade de agradar, de não ver ninguém, ou essa pessoas em especial, chateada com você...nem que mais tarde você a convença que não foi exatamente errado o que você fez... claro que esse princípio não se aplica a qualquer caso, porque, às vezes, é mesmo necessário aquela coisa que a maioria de nós aprende no catecismo, " tem que ter o arrependimento"... Em todo caso, o próprio pedido de desculpas é uma manifestação da educação, do comportamento polido. Não reclamo da falta de gentileza, não...reclamo da falta de educação mesmo.
Pisaram no meu pé no elevador, eu pedi desculpas. Até aí, ah, vai, besteira. Mas e a grávida que não arranja lugar no vagão do metro superlotado? Há algum tempo, participei de uma cena! Um moço desses com pés atrofiados e muletas entrou no ônibus e sentou-se na cadeira própria para deficientes. Aí, poucos pontos depois, uma senhora não tão coroa, com um pé bem inchado e enfaixado. Uns minutos sem que ninguém se movesse. E eu, em pé. Adivinhem quem fez menção de levanter-se para ceder o lugar? O senhor de muletas!!!! E bem diante de mim um jovenzinho de escola do estado fingindo dormitar.
Como disse, não sou exemplo, mas como estudante de colégio público, sabendo que isso não é regra, mas na minha época era, fui adestrada a ceder meu lugar para todos os pagantes e idosos, afinal, meu passe era livre! Naquela época, aliás, era bem mais livre..podia ir e vir mesmo, e dá-lhe CCBB, Museu da Quinta, ensaio no colégio...
Voltando... Tive uma Síncope! Comecei a falar alto; mas não é possível que ninguém vá dar o lugar para essa senhora, e é por isso que o Brasil, e as pessoas mal-educadas... aí, claro, o delinquente juvenil se levantou...até porque eu estava a meio metro dele e se alguém ia sofrer o reflexo da minha ira e do meu stress era ele mesmo.

Ai, falar, alivia.
Mas sabem o que eu acho? Que é por isso que o Brasil....

eu sou uma bobalhona

como se não bastasse ter tido o celular furtado por pura distração, pela segunda vez no meu histórico de consumidora do serviço, quase fui atropelada - exagero meu - devido a um pequeno lapso de reflexo.
estava me encaminhando para o sinal fechado, quando vi uma pomba, é, uma pomba.
primeiro olhei-a durante poucos segundos.... ela tinha as asas abertas no chão... não consegui perceber se tinha as patas quebradas ou o quê. olhei de novo, dessa vez parada no sinal. a avezinha mal se locomovia, se debatendo, tentando erguer-se. tive pena. ela parecia não ter patas, como quando se queima um fio de nylon e ele se encolhe retorcido. fiquei ali sem saber o que fazer. não sei se ela sabia ser observada, mas foi esconder-se capengamente atrás da roda de um carro. e eu, com o cenho franzido comecei a me perguntar, o que eu deveria fazer.
Ai, meu Deus, por que permitir que um bichinho frágil e sem consciência sofra tanto? a medida mais racional, vendo o sofrimento da bichinha, seria sacrificá-la. visualizei a impossível solução: eu atirando na pomba no meio da rua, ou dando-lhe uma injeção letal.
mas o politicamente correto não é o racionalmente correto, então, indaguei-me sobre qual seria a solução religiosamente correta, levando em conta que a maior parte das religiões confere a deus o direito de tirar a vida de qualquer ser.

digressãozinha: segundo essa ótica ortodoxa, a eutanásia iria de encontro à postura defendida por Deus e pelos livros sagrados, né? mas também, se o cara respira por aparelhos e sem eles, morre, a vontade divina é que ele morra... né não? mas enfim...

assim, o melhor mesmo seria deixar a vida seguir seu curso, essa era a escolha divina, no mais, deveria rezar pela pombinha. porém, as religiões não chegaram a um consenso sobre a existência de alma nos bichos.... ( se a pomba tiver alma, a formiga, também terá.) e outra: não sou o tipo de pessoa que fica rezando e não faz um algo mais algo, que não pratica algum outro verbo diante das situações.
fiquei pensando, o que o senhor francisco de assis faria nessa situação? levaria a pomba nos braços? cuidaria dela até sua morte dando-lhe alimento? o sinal abriu. atravessei a rua distraída e um outro distraído avançou o sinal.... me assustei, tomara que ele também tenha se assutado. saí do caminho da máquina mortífera com um pulo. retomei meu caminho. voltei a pensar na pomba, mas não olhei para trás. eu me sentia culpada.
uma culpa burguesa-cristã, para não falar esc... me invadiu. quem inventou que não podemos ser inconsequentes, inventou ao mesmo tempo o excesso de responsabilidade.... e por que que eu deveria fazer alguma coisa? mas acho que deveria. um zelo com bichinhos que tenho, um sentimento meio maternal muito meu...
enfim, fui para casa, e não fiz nada.


que saco.

com o coração em casulo

estou preocupada... com os rumos da literatura no Brasil...os blogs se intensificam, mas o mercado de livros se banca com ralos lucros, com exceção dos best sellers irlandeses, entre outros...
Mesmo que não tenhamos milhonários escritores...pelo menos, que eles sejam lidos...
oras, a leitura nos enobrece, talqualmente as artes, o amor e os casulos de alma & lama.
(outros comentários sobre essa última, um outro dia.)

Castro alves:
Auriverde pendão de minha terra
que a brisa do Brasil beija e balança,
estandarte que a luz do sol encerra,
e as promessas divinas da esperança...

é preciso fazer jus, devemos trazer orgulho aos nossos.

Outra coisa, estou exultante com uma mini, mini viagem desse final de semana...vou ao Quilombo São José.... meu coração palpita calmo, mas há a incredulidade da dormência que antecede acontecimentos inesquecíveis....
(conto na volta se tiver palavras para descrever!)